28 July 2009

Tem como não amar?

Ensinei à Clarice que o coração da gente fala. E que a gente tem que ouvi-lo, se possível, toda hora.

Então, nos últimos quatro dias (feriado aqui em Sanca), encostei sua cabecinha no meu peito e cochichei no ouvidinho dela - "te amo". E ela olhava surpresa pra mim, dizendo "mamãe! o coração falou que me ama!" E pedia para eu fazer o mesmo no peito dela, encostava o ouvido e ela cochichava "te amo, mamãe"...

Agora a pouco, depois de repetir o ritual umas 300 vezes (claro, corujice aguda dá nisso, a gente repete incansavelmente as fofices dos filhos), encostei o ouvido no seu peito e ela não disse nada.

Eu me espantei: "oh, filha, seu coração não falou nada?".

- Não, mamãe, meu coração "doimiu", porque tá escuro lá fora!

É isso. Pra Cla, o coração também dorme. Então, bons sonhos pros corações (peludos) de vocês! Eu vou botar o meu pra descansar, porque ele tá precisando... em todos os sentidos.

Reconstrução


Eu não sei onde esse caminho vai dar, mas é pra lá que estou indo.

27 July 2009

História de uma palavra inventada

Depois de trabalhar o dia inteiro até agora, às 00h27, no meio dessa confusão de normas, parágrafos e citações de texto, filhota acorda chorando. O dia não foi fácil pra ela também, febril e resfriada e, pra piorar, com uma mãe ocupada.

Acordou assustadinha e se debatendo. E disse, no meio do soluço:

"Mamãe, eu não consigo achar meu bocotoi".

"Bocotor" é o jeito infantil dela dizer "cobertor" e, que por achar tão lindo, jamais corrigi. Desde sempre, para ela - e para nós - cobertor é "bocotoi", porque é mais quentinho, porque "bocotoi" na sua voz rouquinha aquece também a alma, acalma o choro, consola em qualquer idade.

E ali, num gesto reproduzido por milhões de pessoas amorosas no mundo, que zelam o sono de seus amados, eu cobri Clarice, que abraçou a borda do cobertor para junto de si, acomodou-se melhor no berço e voltou a dormir.

Eu, volto aqui pros meus textos-sem-fim, esperando também um pouco de consolo nessa noite fria.

Nesse momento difícil de revisão de vida, de agenda, de tempos verbais que conjugo ou conjugam por mim, acabo de ter a certeza de que, nunca, a palavra cobertor - em todos os sentidos que possuir - terá outro nome nessa casa, que não seja "bocotor".

Porque, graças, esse é um texto que não precisa de mais nada pra ser perfeito.

25 July 2009

Home sweet home

Há que chegar logo a primavera!

23 July 2009

Respostas default para uma crise de ansiedade nada default

- Calma, fica tranquila.

- O que é do homem, o bicho não come.

- Desencana!

- O que tiver que ser, será.

- Essa demora não quer dizer algo negativo.

- Essa demora pode ser que a resposta positiva ainda não veio.

- Vai dar tudo certo, confia.

- O que você tinha que fazer, você já fez.

- Não fica pensando nisso, pensa em outra coisa.

- Tudo tem seu tempo.

- No fim, tudo dá certo, se não deu, é porque ainda não chegou ao fim.

- Ela ainda não viu seu email, quando vir, vai responder.

óquei. E o que eu faço com esse sofrimento todo aqui? hã hã hã?

21 July 2009

Eu sei o fim, quando começo.

Eu já estava suspeitando. Semanas atrás, juntei TODAS (isso mesmo, você entendeu bem , todas) as minhas roupas que não serviam mais no meu "opent" (eu não tenho closet, porque até hoje não deu pra botar uma porta que fechasse aquele puxadinho do quarto em que as roupas estão socadas). Ou seja, sobrou uns 10% das minhas roupas, que ainda entram no toiço que vos fala.

Isso me deixou muito mais "magra", porque as camisetas "G" (sim, eu sou GG hoje em dia) me deixavam com a certeza dos quilos adquiridos e com mais vontade de comer doce pra compensar a incompetência/preguiça de mandá-los de volta de onde vieram. Pelo menos agora, tudo (pouco) que eu tenho me serve.

Aí foi a vez da cozinha. Uma devassa nas dívidas de tampas de tupperware (ou tapa-o-ar, como costumo chamar) com seus respectivos recipientes, pratos desbocados, xícaras sem pires, cabos de talheres amarelados.

Tudo devidamente doado.

Mas eu sabia o que estava por vir. Não avisei marido, para não assustar, mas estava nascendo dentro de mim uma vontade louca de reformar o apê, pintar (ou por que não derrubar) paredes, trocar capas de almofadas, lavar (e por que não tingir) cortinas, trocar o provisório-quebra-galho desde quando mudamos pra lá para o definitivo-que-nunca-chega-se-a-gente-não-vai-lá-na-loja-e-faz-um-carnê.

Eu fui na loja e fiz um carnê. Aliás, vários. E daqui uns dois meses vocês vão encontrar minha casinha finalmente repaginada, como a gente sonhou há dois anos, quando mudamos pro assentamento que se tornou aquele apartamento.

Portas serão instaladas! Espelhos serão trocados! Adesivos serão colados! Fotos serão enquadradas! Quadros serão pendurados! E tenho dito.

Porque às vezes, é preciso mudar tudo, sem sair do mesmo lugar.

20 July 2009

Constatações de um domingo frio

Só o tempo e a experiência para trazerem pra nós algum entendimento, algum sentido na vida. Ontem, ou o domingo estava muito frio ou eu estava mesmo querendo fazer meus balanços periódicos, mas foi quando pude botar mais um volume na estante da série "como eu pude?"

Graças a Deus a gente evolui, vê diferente - ou vê, simplesmente - aquilo que não enxergava antes, aquilo que devia ser abandonado desde o início mas pelo que lutei ferrenhamente.

Não, não queira entender. Minha cabeça tem uns labirintos onde até eu me perco.

Só saiba que o que antes enxergava como um ideal, hoje vejo porque não deu certo. Talvez, justamente por isso - por achar que era ideal - que não vi a enrascada que me meteria. Mas já parei de me lamentar há tempos por meu jeito "otimista" de ver a vida, sempre achando que os maiores idiotas da face da Terra têm um lado bom. Não, não têm.

Tenho aprendido (espero aprender antes de acabar essa história) que gente que não presta, simplesmente não presta. Gente que não tem bom coração, simplesmente não tem.

Infelizmente, não dá pra perceber esses defeitos no primeiro aperto de mão. Só com tempo (e no decorrer desse tempo - essas gentes sabem disfarçar bem - é que a gente se perde, se dá, se ferra.

Nos últimos anos tenho procurado me afastar dessas gentes, e ontem, foi o meu dia de ficar muito grata por isso. Por ter conseguido estar longe, bem longe.

Ok, ok, podia ter sido hoje também, porque tá o mesmo frio, e eu continuo no meu balanço periódico de uma segundona comprida, depois de uma noite muito mal dormida. Blé.

14 July 2009

3 aninhos de Clarice



Não dá para passar impune pelo aniversário de um filho. É impossível não parar para pensar um pouco na vida, naquela vida que não existe mais e que você já nem se lembra como era, e da vida que virá a ser, a cada dia, que se mistura tanto, mas tanto com a história dessa nova pessoinha.

Nesses momentos, quando tanta gente te diz na festinha de comemoração do aniversário "nossa, como passou rápido!", é que você se dá conta que são apenas poucos anos para muita novidade, três anos que somam quase uma década.

Há três anos atrás, eu não me imaginava trocando fraldas, brincando de colar figurinhas, inventando músicas para apaziguar choros histéricos (quando já não se há mais nada a fazer, a não ser cantar para acalmar a si mesma e acreditar em Deus).

Há três anos, não me imaginava comendo um resto de doce babado, porque a cria cuspiu na sua mão e por perto não há um lixo disponível para descartar o refugo. Não imaginava ter controle emocional no meio de uma noite tranquila de sono ao ser despertada por grito de horror por um monstro imaginário na cortina.

Eu dormia tarde, acordava mais tarde ainda, tinha a solteirice de botar a bolsa no ombro e sair por aí, só para bater pernas. Hoje, não ponho o pé na calçada sem olhar para o céu e prever, com intuição ancestral, se vai chover, se vai ventar, se é preciso mesmo sair à rua com um bebê-criancinha.

Eu fumava de vez em quando, só por farra, ria muito alto. Eu não observava que no caminho da porta do apartamento até o elevador, poderiam ser descobertas tantas formigas e pedacinhos microscópicos de papel. Não recolhia parafusos e moedas pela casa com tanto pavor, como também possuía com paixão todos os meus livros na estante... ninguém era autorizado a tocá-los com mãos descoordenadas e meladas de doce.

Há três anos, as roupas me serviam, e se não servissem, tinha tempo (e muito mais vontade) de procurar por outras nas lojas. Jamais imaginaria que o meu roteiro de tarefas e compromissos se dariam nos arredores de uma escolinha infantil, onde descobri tantos sapateiros, cartórios, costureiras, lojas de presentes e lavanderias.

Eu tinha tempo. Para mim, pro Marcello, para fazer canapezinhos e enroladinhos na cozinha, para assar carnes longamente em fogo baixo, sem nenhum cuidado com mãozinhas curiosas no vidro quente do forno.

Eu não tinha tanto medo da morte.
Eu não tinha tanta coragem.

Há três anos, não foi apenas a minha rotina que mudou. Não foi apenas o sono que tomou o peso de uma pena, a responsabilidade de dar condições para a felicidade de alguém tão recente em minha vida tenha se tornado o alvo de todos os meus esforços.

Mudou também o meu olhar para o outro, o meu entendimento das pessoas, a minha compreensão da vida - nunca tinha sido tão orgânica e voraz, tão primata, tão mulher.

A minha vida com a Clarice não tem chorumelas. É jogo duro, todo dia. Não dá pra bobear, fazer beicinho, desistir. Mas ainda sendo difícil, é uma vida que eu amo, com toda a força do meu coração. Uma vida que não troco por absolutamente nada no mundo.

A sua vozinha rouca, me chamando de mamãe, é pura poesia. Suas descobertas de uma criança de três anos são tão singelas que emocionam. Seus verbos mal conjugados, "eu sabeu, mamãe", são de uma beleza implacável. Seu sorriso, ah, seu sorriso... quando consigo provocar gargalhadas naquela magrelice de menininha pequena, naquela pessoinha de 14kg e 99cm, quando ela quase perde o fôlego, gritando, "de novo, mamãe!"... ah!

Receber seus bracinhos pesados em volta do meu pescoço no fim de um dia cansado, é um bálsamo, uma recompensa que vale qualquer sacrifício.


Porque há três anos, minha vida se encheu de amor.

Eu te amo, pipoca. Que Deus te abençoe sempre e muito.

Em verdade vos digo:

- nada como um problema REAL, daqueles bem grandões mesmo, pra apaziguar qualquer crise.

Tive um chefe que me ensinou: quando a merda é grande demais, não podemos ficar nervosos ou putos. É o caso de unir forças e atravessar a tempestade de forma a sair mais inteiro possível do outro lado.

É vida ou morte.


E como aprendi com uma sábia amiga outro dia: problemas se resolvem, resolvendo-os.

08 July 2009

Dos males, o pior.

Não é que arrependimento mata. É que ele morre com a gente.

Dos sentimentos mais ruins de se sentir, é ele que te acompanha, dentro da consciência, martelando, tirando o humor, atravancando o caminho. Arrepender-se de algo é ter esse algo na tua vida pra sempre. Uma vez percebido e consolidado o erro, ele persistirá na sua ficha, no seu currículo, na sua vida. Não tem como apagar. Não tem volta.

Rancor, ódio, mágoa, tudo isso tem um antídoto, geralmente conhecido como perdão.

Arrependimento, não passa. Ele se acomoda na sua vida, lembrando todos os dias do que poderia ter feito, do que poderia ter sido, do que poderia, mas não foi. Não é.

Serão as correntes que eu vou arrastar pela minha Neverland. Pra sempre.

07 July 2009

Licença pra se achar...

Se você não viu, vai ver. Tá tudo explicadinho aqui.

Ai que orgulho de mim! :)

06 July 2009

Você me odeia?

Então pega a senha e vai pro fim da fila.

Afofando o ninho

A semana que antecede o aniversário da Clarice sempre foi um momento emotivo. Mais que os demais, afinal de contas, não é novidade que eu sou a emoção em pessoa.

Quando ela ia nascer, acho que não "sofri" mais de ansiedade em toda a minha vida. Bati meus próprios recordes. Às vésperas de completar um aninho, não podia nem tocar no assunto, que os olhos mareavam. No segundo, a alegria era tanta, era uma festa "dela", não mais a nossa...

No próximo sábado, minha filha completa 3 aninhos. Ela fala, canta, tem opinião própria (nem sempre coincide com a minha), demonstra personalidade forte, faz suas pequenas escolhas - e está aprendendo a duras penas (como todo mundo) que suas ações têm consequências.

Essa semana, me deu uma vontade louca de arrumar meus cantos - retirei roupas velhas dos armários, arrumei meus utensílios de cozinha, coloquei em ordem alfabética meus cds. Até no trabalho estou atualizando arquivos, jogando papelada velha fora.

De alguma forma, estou mexendo no meu ninho, afofando a palha para comemorar mais um ano de vida da minha filhotinha.

Parece que na época do aniversário dela, eu renasço um pouquinho também.

03 July 2009

Bom mesmo é a gente encontrar um bom amigo.

Alguns dias atrás eu ganhei esse presente lindo. Esse mesmo, que vocês estão vendo. Ou vai me dizer que vocês não repararam que esse blog recebeu um toque fofo, cheio de flores, fotos, borboletas e tons cor-de-rosa??

Esse é o novo "template" do blog, que foi me presenteado pela querida Maysa Luz, uma web-friend (conceito dela mesma) que eu conheci ao entrar no Projeto Deusas. Depois estivemos juntas em outro grupo que eu moderava e, como toda blogueira linda no mundo, participa também do LuluzinhaCamp.

Maysa é uma amiga de verdade (conceito meu, viu?). Nas dificuldades internéticas, foi ela que me deu a maior mão. Mão de amiga, que vem espontaneamente, até quando a gente diz "obrigada, não preciso." Ela estava lá. Junto. Maysa é fofa, tem um sotaque gostooooso... mas não se iluda, ela também pode ser uma lâmina. Essa faceta conheço apenas seus textos, sempre exatos e concisos. Na vida real-virtual, conheço a Maysa guerreira, mãe de três crianças lindas, esposa, lutadora, que sabe tudo de blogs e de scrapbooking. Corram pra ela, se precisarem. Talento não lhe falta.

Formamos essa dupla, prolixa daqui, concisa de lá. Algumas conversas sérias no gtalk e a certeza de uma amizade que veio pra ficar.

Sem que dissesse "eu preciso", ela trouxe à minha vida - e a esse blog - suas borboletas e generosidade. Seu carinho sem preço. Seu coração bom.

Maysa, o difícil agora vai ser censurar os palavrões que eu digo por aqui, porque não vão mais ornar com tanta coisinha linda. :)

Obrigada, querida.