14 September 2009

Estreia



Nós nos gostamos muito. Mas nos desentendemos e brigamos feio. Falamos o que não devíamos, com a cabeça quente. Viramos a cara. Deixamos de nos falar por um longo tempo. Nos maldizemos. Fizemos birra, batemos os pés. Complicamos tanto as coisas que até acreditamos que nunca mais seria possível uma convivência civilizada. Construímos teorias conspiratórias. Fizemos intrigas. Erramos muito.

Pensamos, vimos que não valia a pena tanto murro em ponta de faca. Todos saíram com as próprias mãos machucadas. As feridas foram curadas cada uma a seu tempo. Outras deixaram cicatrizes profundas, não será possível esquecê-las ou escondê-las.

Mas a vida tem suas reviravoltas. Muito tempo se passou. E não há nada mais sábio do que reconhecer que o tempo é realmente o senhor da razão.

Fizemos um mea culpa doloroso. Vimos que no meio de muita bobagem, aconteceram coisas muito sérias. Cada história, em sua versão particular, conta enredos tão diferentes entre si que parecem ter sido vividos por personagens diferentes. Éramos todos parte de uma novela desconexa, mal escrita, mal dirigida, muito mal contada.

Tanto tempo se passou para que pudéssemos novamente conversar. Foi uma conversa muito dolorosa, discutimos, recusamos ouvir o que o outro tinha a dizer, nos exaltamos, choramos, discordamos, mas esclarecemos as mentiras, colocamos as vísceras à mostra.

Nos perdoamos.

As cicatrizes já fazem parte dessa história para nos alertar sobre nossos limites, para não nos deixar esquecer os erros cometidos. Não, não devemos esquecê-los, porque corremos o risco de repeti-los.

Esse é o momento do recomeço, da esperança, da alegria.

Vamos seguir adiante, torcendo para que o passado nos sirva de luz nesse caminho. E que, principalmente, nossas crianças possam escrever seus enredos com muito menos dor.

E antes que você duvide, sim, esse é um post dedicado a você, Manu.
A você, que teve a coragem de dar o primeiro passo para nosso reencontro.
Que a gente possa ser feliz daqui pra frente, porque é daqui pra frente que a vida acontece, sempre.

Com amor,
Deh

2 comentários:

Leilah said...

Deh, esse post me tocou fundo, já tive uns perrengues com algumas pessoas q foi difícil de superar, deixar o orgulho de lado, assumir meus erros. Ninguém gosta de dedo apontando pro próprio nariz né? Olha, eu luto comigo mesma por dentro às vezes, mas sei q não sou mais uma criança q pode bater o pé e fazer birra, a vida não é assim, esse crescimento dói, mas fortalece demais!
Bjão!

Anonymous said...

Oh Deh, completamente sem palavras...
Foto linda, texto lindo, família linda ...
Não me canso de ler...e não me canso mesmooooo!
Estou muito feliz!

beijos no coração

Manu

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