27 July 2009

História de uma palavra inventada

Depois de trabalhar o dia inteiro até agora, às 00h27, no meio dessa confusão de normas, parágrafos e citações de texto, filhota acorda chorando. O dia não foi fácil pra ela também, febril e resfriada e, pra piorar, com uma mãe ocupada.

Acordou assustadinha e se debatendo. E disse, no meio do soluço:

"Mamãe, eu não consigo achar meu bocotoi".

"Bocotor" é o jeito infantil dela dizer "cobertor" e, que por achar tão lindo, jamais corrigi. Desde sempre, para ela - e para nós - cobertor é "bocotoi", porque é mais quentinho, porque "bocotoi" na sua voz rouquinha aquece também a alma, acalma o choro, consola em qualquer idade.

E ali, num gesto reproduzido por milhões de pessoas amorosas no mundo, que zelam o sono de seus amados, eu cobri Clarice, que abraçou a borda do cobertor para junto de si, acomodou-se melhor no berço e voltou a dormir.

Eu, volto aqui pros meus textos-sem-fim, esperando também um pouco de consolo nessa noite fria.

Nesse momento difícil de revisão de vida, de agenda, de tempos verbais que conjugo ou conjugam por mim, acabo de ter a certeza de que, nunca, a palavra cobertor - em todos os sentidos que possuir - terá outro nome nessa casa, que não seja "bocotor".

Porque, graças, esse é um texto que não precisa de mais nada pra ser perfeito.

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