21 July 2010

Um adeus a meu pai...

Meu pai decidiu tornar o céu um lugar mais feliz na última sexta-feira.

Ele era um homem forte, decidido, firme, durão, quase rude muitas vezes. Mas se emocionava muito, com um gesto meu, um filme, uma missa. E nessas horas, quando percebia lágrimas no seu rosto - disfarçadas, obviamente, sabia que ali tinha um coração enorme.

Com a idade, ele foi ficando cada vez mais sensível. Sua saúde se debilitou muito nos últimos anos, mas ainda assim ele juntava forças - na maioria das vezes, para ajudar a todos que o procuravam. Para ajudar muito a mim e à minha mãe.

Quando nasceu a Clarice, meu pai se tornou um avô de livro infantil. Bonachão, divertido, carinhoso até onde não se cabia mais. Completamente coruja.

Seu último aniversário foi comemorado 2 dias antes de sua hospitalização. E a festa parecia ser da Clarice. O bolo, foi escolhido pelo sabor que ela gostava, as comidinhas, o que ela preferia.

Nossa família diminuiu mais um pouco com o término do meu casamento, mas ainda assim, estávamos os quatro (eu, minha mãe, ele e Clarice) felizes e esperançosos pela cirurgia que ele iria fazer na semana seguinte (o que acabou nem ocorrendo).

Fotografei muito naquele sábado. Clarice foi muito carinhosa com ele e os dois brincaram bastante as brincadeiras singelas que ele inventava. As mesmas que ele costumava fazer comigo.

Meu pai foi um homem simples, honesto, amigo. Sua maior herança é o amor que ele deixou em mim, que tem me feito tão forte para aguentar mais um obstáculo imenso nesse 2010 infinito.

É desse pai que lembro todo dia.
É esse avô que vai permanecer nas lembranças de Clarice.

Que ela saiba que amor, em nossa história, é hereditário. E que ser alguém bom e justo é a melhor herança que podemos deixar dessa vida.


Vovô Hilário e Clarice, brincando felizes, em 26 de junho de 2010.

01 June 2010

Criança diz cada uma...

Clarice e Bia, amigas descobrindo o mundo juntas, há quase 4 anos.


A Clarice diz algumas coisas erradas tão lindas, mas tão lindas, que eu não consigo corrigi-la.

A Fiona, por exemplo... é a sua princesa preferida porque ela se "funstrorma". E claro, ela prefere a Fiona verde (funstrormada) do que a outra. E me enche de orgulho.

Para medir a febre? Use um "termótremo".

Está com frio? Pegue seu "bocotor".

Todos os dias, no caminho de ida ou volta para a escola, vamos conversando casualmente, sem o compromisso "formal" de educar. Só conversando, como eu acho muito mais divertido.

Ela percebeu que nossa casa não tem telhado (moramos em apartamento), quando viu o prédio de longe.

Outro dia, ela observou que no céu existiam 3 luas. Uma em cada rua, quando ela a avistava de outro ângulo pelos prédios.

Ela também percebeu que a letra E tem 3 braços... (e eu lhe disse que era porque era uma letra que gostava muito de abraçar). E que o número 4 vive em festa, com os bracinhos pra cima!

Cada dia é uma descoberta gostosa, instigante, linda... são esses singelos momentos que fazem valer a pena todo o nosso esforço e sacrifício em educar um filho.

Uma lindeza, uma lindeza... compartilhar as novidades de um ser humano recém chegado descobrindo o mundo faz a gente querer acreditar que o mundo é bom, apesar de.

13 May 2010

Vida própria

Estar em licença médica, embora por razões não desejadas e das quais eu quero sair logo, me permite viver minha casa de um jeitinho bem especial, talvez como nunca vivi. Pelo menos esta casa, nessa atual situação.

Ter a casa toda pra mim é algo que experimentei há muito tempo, quando tive um breve período longe da minha mãe. Depois, casamento e maternidade me "roubaram" esse silêncio de que gosto tanto.

Eu sei, não troco minha vida por nada, amo estar agora com a Clarice bagunçando pra lá e pra cá, mas ouvir minha casa, como estou fazendo agora, me dá uma paz há tempo não vivida.

Minha casa nem percebe que estou aqui, acostumada com minha ausência diária e correria na volta, e ela vive uma vidinha toda dela.

O vento que bate na cortina, sinal de distração da janela aberta... alguns pingos na pia, passarinhos na vizinha, uma música ao fundo no asilo aqui do lado. Uma porta que bate de leve, uma almofada que se ajeita nos sofá... um papel que voa para o chão. Parece que a casa respira também quando estou ausente, leva também sua vida, aguardando paciente minhas ordens.

Quando ex-mah-rido deixou de morar aqui, me perguntaram se eu ia aguentar ficar sozinha. Me recomendaram ir para a casa de minha mãe, sair por um tempo desse poço de lembranças, mas não arredei pé.

Eu amo minha casa, suas portas e janelas, suas cortinas e histórias, essa construção lenta e interminável. Seus cheiros, seus defeitos, sua beleza de lugar em que as pessoas realmente vivem e se sentem incluídas.

Nós estamos construindo novos hábitos e arrumações, nova rotina, novos objetos.

Mudar tudo é mais fácil quando há vida própria, dentro da gente.

07 May 2010

Doação de sangue...

Pessoal,

Agora é um post sério e delicado.

Uma amiga querida precisa de doadores de sangue urgentemente, para sua filhinha, que está internada.

Por favor, quem puder, procure por Robson ou Juliana, no Hospital Samaritano (Higienópolis - São Paulo), com agendamento antecipado pelo telefone 3821-5852 ou 3821-5853. Informar que é em nome de Isabela Aleixo.

Essa amiga é uma das pessoas mais bacanas que já passou pela minha vida.

Vamos ajudar? Estarei lá na segunda-feira! (O banco de sangue abona o estacionamento)

Obrigada, gentem.
Deh

04 May 2010

E a vida continua...